Argentina (Rio Negro): A área semeada com cebolas no Vale Inferior diminui em quase 40%.
A área declarada de cultivo de cebola caiu de 3.010 para 1.853 hectares na safra 2025/26, segundo dados do IDEVI.
Todos os anos, os produtores do Instituto do Baixo Vale do Rio Negro (IDEVI) devem cumprir duas obrigações essenciais: não podem estar em atraso com o pagamento de mais de duas parcelas da taxa de irrigação (paga bimestralmente) e devem apresentar uma declaração juramentada das culturas para que o órgão possa calcular a demanda hídrica. Isso permite o registro detalhado das culturas e seu desenvolvimento, e entre os dados de 2025, destaca-se uma queda acentuada (próxima a 40%) na área plantada com cebola.
No ano passado, não choveu no sul do Brasil, região responsável por quase 90% da produção de cebola, e os preços despencaram. Este ano, essa tendência parece estar se revertendo com as primeiras chuvas nas áreas produtoras de cebola do país.
Queda acentuada na área semeada com cebolas.
Desde maio do ano passado, Gastón Gutiérrez é presidente do IDEVI, órgão que divulgou um relatório destacando que, para a safra 2025/26, foram declarados 1.853,03 hectares de cebola, uma queda significativa em relação aos 3.010,39 hectares da safra 2024/25. Esses 1.157 hectares a menos representam uma redução de 28,5% na área plantada.
Esses números surgem justamente quando começa a colheita precoce de cebolas, com preços melhores, "que espero que se mantenham até a colheita tardia", que ocorre em março, afirmou o funcionário.
“No ano passado, os preços estavam baixíssimos. Embora viéssemos de um excelente 2024, devido às enchentes no sul do Brasil, muitos trabalhadores independentes, como capatazes e autônomos, foram incentivados a arrendar fazendas. No entanto, os preços do ano passado os levaram à falência e eles voltaram a ser empregados”, disse ele, ao ser questionado sobre o motivo da queda na área plantada.
“Este ano também não haverá excesso de oferta e, no Brasil, os compradores não demoram, porque com as primeiras chuvas já vêm comprar aqui”, especificou.
No ano passado, “muitos produtores viram suas cebolas brotando nos campos, em montes. Há fotos aéreas que confirmam isso, e causa um problema no solo devido à acidez transmitida, então alguns optaram por oferecer as cebolas a vizinhos e amigos. Era uma espécie de oferta gratuita, para evitar o trabalho da colheita, porque não havia preço”, lembrou ele.
Culturas forrageiras e árvores frutíferas, as culturas que sustentam a produção.
Contudo, as culturas forrageiras, especialmente a alfafa, continuam a liderar em termos de hectares cultivados, ocupando 12.269,76 hectares. Analisando as estatísticas, podemos ver que nesta safra 5.304,36 hectares serão dedicados à alfafa; 3.976,16 a pastagens mistas (alfafa combinada com outras pastagens); 498,19 a trigo; 567,88 a pastagens naturais; 149 a beterraba sacarina; 328,94 a cevada; 165,91 a trigo; e 344 a azevém. 172,92 serão destinados à aveia e 116,77 a outras espécies forrageiras, enquanto haverá 388,02 de painço, 223,5 de sorgo e 34,11 hectares de outras culturas de verão.
No caso dos cereais, foram cultivados 4.021,8 hectares, dos quais 3.368,8 hectares eram de milho e 653 hectares de girassol. As árvores frutíferas ocuparam 1.145,18 hectares, representando 6% do total, uma percentagem que se manteve estável nos últimos anos. Por categoria, a área plantada distribuiu-se da seguinte forma: 617 hectares de avelãs, 298,42 hectares de nozes, 11,04 hectares de amêndoas, 87,17 hectares de pomóideas, 47,93 hectares de frutos de caroço e 83,62 hectares de vinhas.
Além de cebolas, foram plantados 49,17 hectares de cenouras, 29,83 de batatas, 412,18 de diversos vegetais, 287,8 de abóboras e 31,26 em estufas, totalizando 2.663,27 hectares.
“O setor de forragem está crescendo devido ao impulso da pecuária e à alta demanda global, já que há 40% de demanda não atendida. É por isso que a perspectiva para a alfafa aqui é muito animadora, especialmente considerando os projetos submetidos ao BID para o desenvolvimento de Guardia Mitre, Negro Muerto e Colonia Josefa”, entusiasma-se Gutiérrez.
Outra característica revelada pelos registros oficiais é o crescente interesse pelas avelãs, cultura de destaque na IDEVI, responsável por 94% da produção nacional, em uma fábrica pertencente à multinacional Ferrero Rocher.
“Notamos que, além de processarem e exportarem a sua própria produção, estão a começar a comprar avelãs de terceiros, com bons resultados quando esse produto chega a Itália e é comparado com as avelãs provenientes da Turquia (líder mundial na produção)”, destacou o presidente da IDEVI.
Outros movimentos incipientes foram notados nos vinhedos, porque "há alguns pequenos empreendimentos que possuem lojas de vinhos ou são profissionais, que começam com dois ou três hectares, os testam e depois os declaram, e talvez 20 hectares apareçam de repente", o que demonstra outra atividade que está começando a se consolidar em uma área da província onde algumas vinícolas, como a Wapisa, já se estabeleceram.
Fuente: masp.lmneuquen.com




