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Latam 13/08/2017

Brasil: O Grupo Rocheto é o maior produtor de batata no país, com 260.000 toneladas por ano

Bem Brasil produzem 260.000 toneladas do tubérculo por ano em fazendas de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso.

“Vá plantar batatas!” A expressão criada no século XVI em Portugal se baseava na ideia de que a atividade agrícola era degradante e pior ainda era plantar batatas, já que o alimento era consumido essencialmente pelos pobres.

Popularmente, a frase é usada quando se quer dizer a alguém para não “encher a paciência”. Na década de 1970, a frase virou meio de vida para os irmãos Rocheto, filhos de um pequeno sitiante em São João da Boa Vista, interior paulista. Atualmente, o Grupo Rocheto é o maior produtor do tubérculo no país, com 260.000 toneladas por ano e fazendas em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso.

Em fevereiro, os irmãos inauguraram sua segunda indústria de processamento de batatas, a Bem Brasil Alimentos, com um investimento de R$ 200 milhões. O plano é alcançar em breve 35% do mercado e obter a liderança no segmento de batata pré-frita congelada no Brasil, dominado pelas multinacionais. O ponto de partida dos Rocheto foi o sítio em que moravam com os pais. Em pouco tempo, a plantação se alastrou para terras arrendadas em Casa Branca, a 40 quilômetros de distância.

O próximo passo foi a compra de uma área de 48 hectares em Vargem Grande do Sul, logo ampliada para 108 hectares. Desde o início, a batata era plantada em rotação com milho, soja e feijão. A decisão de investir em terras mineiras, onde o grupo se tornou o maior produtor do país, veio no final da década de 1980, quando os irmãos compraram a Florestadora Perdizes Villares Ltda, de 7.500 hectares, que plantava pínus na região do Alto Paranaíba e no Triângulo Mineiro.

As árvores foram saindo para dar lugar à batata e aos cereais. O grupo anexou outras áreas ao redor até chegar aos 15.000 hectares de hoje, com sede no município de Perdizes, de 15 mil habitantes. “Em São Paulo, só se plantava batata no inverno. Em Minas, o clima permite plantio num período maior do ano”, explica João Emílio Rocheto, o irmão mais velho, responsável pela produção na fazenda de Perdizes, que ganhou o nome de Água Santa e se tornou a maior empregadora privada do município. João Emílio também cuida das duas unidades da fá- brica Bem Brasil. O irmão Celso dirige a produção de cereais em Canarana (MT) e José Paulo é responsá- vel pela Fazenda Três Marias, em Vargem Grande do Sul, especializada em produção de batata para o mercado in natura. Enfrentando a crise Após se consolidar em Minas, o salto seguinte dos Rocheto se deu com o início da verticalização, em 2007.

“Percebemos que a tendência de crescimento era de produtos industrializados, devido à mudança de hábito do brasileiro, que passou a consumir mais batata processada”, diz João Emílio. A primeira fábrica, instalada em Araxá (MG), com capacidade para 100.000 toneladas de batata pré-frita congelada, passou a receber a maior parte da produção de Perdizes e abocanhou 26% do mercado nacional. Antes, o grupo era fornecedor da Elma Chips. A decisão de construir a segunda indústria, em uma área de 300.000 metros quadrados dentro da Fazenda Água Santa, foi tomada no final de 2013, quando a economia brasileira dava os primeiros tropeços, mas o mercado de batata pré-frita congelada crescia 15% ao ano.

“Achávamos que seria apenas um ajuste, e não uma crise com a proporção que teve, mas, como já tínhamos encomendado no exterior todos os equipamentos para a indústria, não dava mais para recuar. Iniciamos a construção em 2015, em plena crise”, diz João Emílio, lembrando que naquele ano o crescimento do mercado recuou para 4%. As máquinas totalmente automatizadas da indústria, com capacidade de processar 250.000 toneladas por ano, foram importadas da Holanda, Bélgica e Estados Unidos. Caldeiras e periféricos são nacionais.

Para abastecer a segunda unidade industrial, a área plantada do grupo passou de 4.700 hectares, no ano passado, para 6.000 hectares, neste ano. João Emílio ressalta que, na batata, o que varia muito, além do preço, é a produtividade, não a área plantada. Para elevar a produção, o grupo precisou pedir autorização ao órgão mineiro de abastecimento de água, já que 100% da cultura é irrigada por 76 pivôs centrais espalhados pela fazenda, que tem 12 represas.

A Bem Brasil Alimentos, de Perdizes, ainda não está operando com sua capacidade total. A fábrica deve funcionar dez meses por ano, por falta de matéria-prima e também por necessitar abrir mais mercado.

Segundo João Emílio, formado em administração de empresas e ciências contábeis, 20% da batata pré-frita congelada produzida na unidade de Araxá sai de fábrica com marca de terceiros, como Qualitá, Carrefour e Aurora. O plano futuro, com a ampliação da capacidade industrial, é exportar o produto. No ano passado, o faturamento da Bem Brasil foi de R$ 467 milhões. A empresa Rocheto faturou 25% a mais em relação ao ano anterior.

Tecnologia verde Na Fazenda Água Santa, trabalham 340 funcioná- rios. No total, o grupo tem 780 empregados. O preparo, o plantio e a colheita são mecanizados há dez anos. Arley Batista Alves, funcionário há 16 anos, comanda o plantio. Ele se lembra da época em que o trabalho era feito por quatro operadores. Hoje, ele opera sozinho plantadeiras de oito linhas importadas da Alemanha, que têm capacidade de plantar 25 hectares por dia.

Na colheita, a fazenda usa oito grandes máquinas importadas da Alemanha e dos Estados Unidos – uma delas ao custo de R$ 2,5 milhões –, que fazem o trabalho de até 120 pessoas cada uma. O gerente da fazenda, Isidro Velasco Rios, contratado há três anos, quando os Rocheto iniciaram um processo de profissionalização da gestão da Água Santa, diz que o investimento em mecanização, agricultura de precisão e manejo garante uma produtividade 30% acima da média nacional, chegando a 44 toneladas por hectare.

O engenheiro agrônomo Daniel Rodrigues, especialista na produção de batata que foi contratado no final de 2016 junto com três outros profissionais de gestão, cita como um problema da cultura a falta de mais pesquisas para produção de sementes adaptadas ao clima e às condições de solo do Brasil. “A batata é uma cultura muito particular, porque sua semente não é de origem sexuada. O tubérculo produz uma variação genética muito maior”, conta.

As sementes plantadas na Água Santa são importadas da Holanda em grandes lotes que ficam armazenados em 12 câmeras frias com temperatura de 4 a 6 graus célsius. Cada semente gera dez “filhas”, que vão produzir 100 “netas”. São essas mudas da segunda geração (G2) que vão para o plantio comercial. João Emílio destaca que, além da tecnologia, o grupo investe em sustentabilidade na produção de alimentos. Em dois anos, a companhia implantou o Programa Valore, da Bayer, tornando-se, em novembro de 2016, o primeiro produtor de batatas do país certificado em boas práticas no campo (agrícolas, ambientais, trabalhistas e sociais).

O programa abre portas para certificações internacionais. Segundo Cristiane Lourenço, gerente de desenvolvimento sustentável e parcerias na cadeia de valor da Bayer, a adoção de boas práticas visa garantir sustentabilidade ao negócio. O resultado é mais efici- ência operacional e otimização dos recursos, evitando desperdício e gerando economia. O próximo passo da Rocheto, diz ela, é a conquista da certificação internacional Global G.A.P., que possibilita ao produtor o acesso ao mercado varejista da zona do euro. O cuidado com o meio ambiente na Água Santa inclui a preservação de animais e o replantio de mudas nativas.

Durante o plantio das lavouras, é comum observar gaviões e seriemas seguindo as grandes má- quinas pelo campo em busca de alimento. Não é raro ver também outras aves, lobos, veados, porcos-do- -mato, capivaras e até onças na fazenda.

Fuente: https://www.bembrasil.ind.br/imprensa/globo-rural-industria-da-batata/


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